Por que pegar dinheiro emprestado?
Por que pagar mais por
menos? A recente reportagem de
capa da revista EXAME
1
,
denominada O CONSUMIDOR
NO VERMELHO, traz dados
alarmantes!
De acordo com a reportagem, o
Brasil se transformou numa
espécie de pátria das parcelas,
revelando que o modelo de
vendas das “Casas Bahia”, ou
seja, de concessão de crédito no varejo por
venda a prazo, com o slogan “Quer pagar
quanto?” entrou no imaginário popular ao
descrever um mundo em que tudo era
acessível, desde que as prestações
coubessem no orçamento mensal.
Essa solução inicialmente voltada a
consumidores de baixa renda, dentro de um
cenário econômico estável (consolidado em
2004, após 10 anos de Plano Real)
2
, no qual
as amarras da concessão do crédito foram
sendo soltas; aliado à falta de planejamento
financeiro, cujas origens remontam às
décadas de inflação alta no Brasil, podem
ter sido os ingredientes decisivos para um
comportamento consumista, desorganizado
e irresponsável. Esta pode ser a causa do
endividamento de muitos!
A economista Mônica Baumgarten diz
que “O governo precisa lidar o quanto antes
com o risco de superendividamento da
população”. A reportagem completa
afirmando que nada, até agora, foi capaz de
diminuir o ímpeto do brasileiro, que
continua rasgando dinheiro – de
preferência, em 72 vezes sem juros.
Preocupado com essa situação, lançamos
um desafio para você resolver esse
problema, sair do vermelho, passando a
planejar melhor o seu orçamento mensal.
1
Reportagem de Capa. O Consumidor no
Vermelho. Revista EXAME, Edição 997, Ano 45,
Nº 14, de 10/8/2011.
2
O Plano Real entrou em vigor em 1º de julho de
1994.
1º PASSO: Divida uma folha de papel ao
meio relacionando, de um lado,
quanto você ganha, e do outro,
quanto você gasta. Nada de
planilhas eletrônicas, com lápis,
borracha, papel e calculadora na
mão, você poderá verificar, diaa-dia, como andam os seus
gastos.
No lado das despesas, comece
relacionando as essenciais, sem
as quais você não pode viver,
tais como água, luz, gás, ..., ops,
não inclua ainda o telefone!
Depois coloque as despesas com moradia,
aluguel ou prestação da casa, condomínio,
IPTU, empregada (se houver) e estime suas
despesas com o supermercado.
Agora coloque as despesas com você e sua
família, planos de saúde, remédios, escola,
faculdade, cursos, academia, TV por
assinatura (será que é necessário?), telefone
fixo e celular (cuidado aqui!), tarifas
bancárias etc.
Para cada fase é importante você verificar
qual a fatia do seu salário que essas
despesas representam e começar a
raciocinar com cortes, caso elas estejam
altas!
Relacione as despesas pessoais como salão,
cabeleireiro, vestuário; as despesas com
transporte, como ônibus, metrô,
combustível, manutenção do carro etc.
Faça também uma estimativa de despesas
com lazer, passeios, bares, restaurantes,
viagens planejadas, pois, afinal de contas,
ninguém é de ferro!
Finalmente, pegue todos os seus carnês e
relacione as suas dívidas, a prestação do
carro (é possível viver sem esta!), da casa,
TV, geladeira, fogão e dos empréstimos!
Relacione também os saldos devedores do
cartão de crédito e as despesas com o
cheque especial.
Será que as suas prestações representam
mais do que 25% do que você ganha? Se
isso acontecer prepare-se para mudar de
atitude porque, provavelmente, você está
endividado!Você não pode gastar mais do que
ganha, essa regra é básica! Se isso
acontecer, reveja tantas vezes quanto
necessário o 1º PASSO, fazendo cortes, até
que, no mínimo, a conta “receita menos
despesas” fique igual a zero!
Se você estiver muito endividado, pense
também na possibilidade de juntar todos os
saldos devedores de suas dívidas numa
prestação só. Neste caso, talvez, o crédito
consignado seja uma boa saída pra você se
livrar do cheque especial e da dívida do
cartão de crédito, os mais caros do País, nos
quais os juros ultrapassam os 180% ao
ano
3
!
2º PASSO: Mudança de atitude.
Empréstimo custa caro, e você deve
saber disso. Vale à pena pegar R$ 5.000,00
para comprar, por exemplo, uma TV nova,
LCP ou plasma, de 51 polegadas?
Considerando o exemplo, se você tomar
emprestado R$ 5.000,00 em 24 vezes de
R$ 276,28, vai pagar, ao final, R$ 6.630,81,
ou seja, R$ 1.630,81 de juros. Será que
compensa?
Neste caso, se você guardar R$ 276,28 por
mês, em 18 meses, você poderá comprar,
certamente, uma TV melhor, maior e até
mais moderna pelos mesmos R$ 5.000,00,
podendo juntar os outros 6 meses para
adquirir um home theater pelos
R$ 1.630,81 que você iria pagar de juros.
Veja que, neste caso, o “juros” que você iria
pagar, no primeiro caso, já virou conforto!
Pegar dinheiro emprestado significa
antecipar planos e, como cita a reportagem,
isso custa caro, juros! Por isso, só antecipe
sonhos que possam realmente valer à pena
como, por exemplo, o sonho da casa
própria.
3º PASSO: De endividado a
equilibrado, de equilibrado a investidor.
No mundo inteiro, pelo menos no que diz
respeito à economia doméstica, podemos
dividir as pessoas em 3 grandes grupos: os
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Reportagem de Capa. O Consumidor no
Vermelho.Revista EXAME, Edição 997, Ano 45,
Nº 14, de 10/8/2011.
endividado
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